Um espaço para sermos …circunstancialmente…

Tales Messias 

           

“Todas as coisas cooperam, conjuntamente, para o bem daqueles que amam a Deus…”.

 

Mesmo, quando criança, caí e me machuquei nas brincadeiras?

Mesmo, quando criança, sofri muita rejeição na escola, pelos amigos?

Mesmo, quando criança, chorei por me perder da minha mãe?

Mesmo, quando pré-adolescente, sofri tentativa de abuso sexual por um adulto?

Mesmo, quando pré-adolescente, fui assaltado por um grupo de uns sete assaltantes, abalando-me emocionalmente?

Mesmo, quando adolescente, sofri escárnio e zombaria por causa de meu temperamento diferente e introvertido?

Mesmo, quando adolescente, chorei quando do término de alguns namoros?

Mesmo, quando jovem, fui reprovado em algumas provas?

Mesmo, quando jovem, convivi com a insegurança ao passar por um assalto em nossa casa onde quatro assaltantes “renderam” toda a nossa família nos “dopando” com drogas?

Mesmo, quando jovem, reconheci ter tomado decisões profissionais erradas?

Mesmo, quando jovem, me vi rodeado de calúnias por me doar numa vocação e ministério infrutíferos e elitistas?

Mesmo, quando jovem, vi minha filha sair morta, sem pulso nem respiração, de cor arroxeada, no parto e, após ressuscitada, enfrentar uma UTI durante vários dias e, ainda, enfrentar meses de imenso sofrimento e dúvidas quanto ao futuro?

Mesmo, quando jovem, novamente, saí fisicamente ferido por tantas pancadas de revólver na cabeça após um assalto na porta de casa, com minha esposa e filha presentes e com imensas perdas emocionais e financeiras?

Mesmo, quando jovem, me lancei num pecado absurdo e que trouxe absurdas dores em tantas pessoas?

Mesmo, quando jovem, vi o completo desespero e depressão baterem em minha porta ao enxergar a completa patologia em que a igreja estava mergulhada ?

Mesmo, quando jovem, fui obrigado a calar-me diante de tantas ofensas, calúnias, mentiras e traições de amigos a que fui submetido?

Mesmo, quando jovem, descobri traição e mentiras daquela com quem partilhava sentimentos?

 

Como tudo isso operou conjuntamente para o bem?

 

É que hoje, ainda jovem, mas não tanto mais, já “não falo, não ajo e não penso mais como menino…deixei para trás as coisas próprias de menino” e, com isso, um pouco mais adulto – mas ainda no caminho – entendi que o que permanece são a fé, a esperança e o amor. Sendo o amor o maior destes.

 

Ou seja, aprendi o AMOR após enfrentar o desamor, a traição e os medos. Após eu mesmo ser causador também de tudo isso.

 

Aprendi a AMAR  os que erram após errar com quem me amava e a receber amor de quem não merecia.

 

Aprendi a AMAR os que me ofenderam e me traíram mesmo tendo que passar por longo caminho de perdão e vontade de esbofetear um a um.

 

Aprendi a ter fé distante da igreja e dos religiosos. Enxerguei a Deus sem a mistura das lentes distorcidas e opacas da religião e dos religiosos. E, ao enxergá-lo, encontrei seus próprios olhos a me fitarem com olhar de perdão e graça sobre mim.

 

Aprendi a ter esperança, pois vi e vejo que Deus, do nada, do que restou, de onde já reinava desesperança, Ele refaz tudo. Traz vida do pó da terra. Traz ordem e criação do caos. Cria um exército de homens de um amontoado de ossos bem secos. Recria e cria a partir do nada.

 

Só quem ama a Deus e vê os fatos aleatórios da vida de forma conjunta, pois se vê como em uma história e na história, vê Deus nas entrelinhas dos acontecimentos. Enxerga-o entrelaçando, costurando, tecendo nossas profundezas – emocionais e espirituais – quando nenhum dia  como “adulto” ainda tínhamos vivido. Porém, com isso não acho que Deus quis que esses fatos acontecessem em minha vida. Nem quero entrar na discussão se esses acontecimentos – e muitos outros – foram vontade permissiva ou ativa de Deus na minha vida. Isso é uma discussão para o terreno estéreo dos teólogos de gabinete. Falo aqui de minha própria vida. E de como ela sempre esteve mergulhada no Amor e na ação de Deus mesmo eu tendo estado em fases deliberadamente distantes da ação dEle. Mas mesmo lá Ele me encontrou. Pois, como diz o salmista,  “Se eu subir aos céus, lá estás; se eu fizer minha cama na sepultura, também lá estás. Se eu subir com as asas da alvorada e morar na extremidade do mar, mesmo ali a tua mão direita de guiará e me susterá.”.

 

Enfim, o que quero dizer é… que como um tecido é entrelaçado pelos finos fios, imperceptíveis por vezes, de uma linha. E esta, mesmo sendo sutil, é capaz de dar firmeza, contorno e utilidade a este tecido, da mesma forma, Deus trabalhou e trabalha em minha vida. Por vezes, muitas vezes mesmo, não O vi. Pensei estar só. E chorei sentindo solidão e total abandono.

 

Quem exercita olhar para sua história, com olhos de fé e análise, percebe Deus se interpondo nas fases da vida. Trabalhando, sutil e silente, qual um Espírito. Moldando-nos para nos tornarmos um dia mais adultos na fé, na mente e nas emoções. Quem faz esse exercício vê Deus até nos momentos que julgamos “ruins” e piores. Não que Deus quisesse tais situações. Mas, sua ebulição interna em nossa vida nunca cessou.

 

Meu desafio, para você e para mim: olhar para a história como quem quer ver e encontrar a Deus. Para isso, primeiro, precisamos amá-lo. Pois só quem O ama, enxerga que todas as coisas, conjuntamente, cooperaram – e continuarão a cooperar – para o bem.

 

 

 

 

 

Comentários em: "TODAS AS COISAS MESMO?" (3)

  1. Tales disse:

    Tales,
     
     
    Foi muito bom receber teu e-mail, e cada vez mais estou consciente que  tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus…..
     
    Um abraço,
    Rose 

  2. Humberto disse:

    E aí Tales, blza?
     
    bom saber que vc ta bem. Quanto tempo que agente não se vê. Estou indo toda segunda a Recife acompanhando minha esposa que ela está fazendo uma especialização, vamo vê se agente se encontra!
     
    Abração
     
    Beto (filho de Nina) 

  3. Tales disse:

    Beto,
     
    qto tempo! Podemos nos ver sim, meu amigo.
    Graças a Deus estou muito bem. Como está a filhinha?
    Vamos marcar..quero ouvir vc e sobre como estás em JP…
     
    Abraços, amigo
    Tales

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