Um espaço para sermos …circunstancialmente…

Tales Messias

 

Há anos que nos despedimos sem que ele nos cause grandes saudades. Simplesmente passam.

Outros anos, temos imensa vontade de que eles passem logo. E que consigam ir embora sem deixar nenhum resquício em nossa vida. Isso desejei para 2005 e 2006.

Outros, porém, simplesmente não passam. Não vão embora. Deixam profundas e marcantes transformações. Conseguem eternizar-se. Assim foi 2007.

 

Digo isso não para causar constrangimentos e emoções negativas naqueles que consideram 2007 como um ano desgraçadamente ruim.

 

Reflito nisso, apenas como testemunho de que há anos que terminamos como quem sonha:

 

– 2007 foi um ano de reconstrução. Reconstrução familiar. Após dois anos de imensos gemidos na alma, saudades de minha filha, vácuos internos deixados pela ausência de minha esposa, terminamos o ano de forma inusitadamente desejada: em família. Deus – Aquele que reconstrói dos restos, Aquele que traz organização do caos, Aquele que traz vida nos últimos suspiros, Aquele que ilumina dissipando trevas – fez isso em minha família.

– 2007 foi um ano de auto-conhecimento. Após tantas crises – os mais íntimos as conheceram – é impossível que saiamos delas sem que nos conheçamos melhor. Impossível não nos vermos diante de tantas falências. Um mergulho em nossa própria alma só é possível quando nos desvencilhamos de tudo o que nos atrai para a popularidade, de tudo o que faz nossos olhos vibrarem por elogios. Só conseguimos nos enxergar quando saímos de trás de nossas proteções construídas: títulos, aplausos, poder, dinheiro em abundância. Só nos vemos quando precisamos olhar para o chão, desfalecidos diante de falências múltiplas. Só assim, humildes, sentimos brotar em nós um varrimento interno, um “desfragmentador de disco” que começa a varrer todos os espaços mentais, em busca de nós mesmos, de funcionamentos defeituosos em nossa alma, em busca de quem somos, do que pensamos, do que cremos, do que Deus projetou para nós. Sem nenhuma, nenhuma mesmo, influência de instituição alguma. Geralmente castradora e manipuladora.

– 2007 foi um ano de solidão inicial. Mais um. Após anos de popularidade. 2007 – como o foram 2005 e 2006 – começou sendo um ano de imensa solidão. Onde os “amigos” continuaram distantes. Ausentes e nulos. Como é próprio de qualquer amizade forjada em meio a eventos, movimentos e ativismos. Em meio a crises, essas amizades mostram-se apenas extremamente preocupadas em preservar as já citadas instituições. Sejam estas religiosas ou sociais. Qualquer instituição humana por sofrer de um mal chamado “auto-preservação” apenas enfrenta crises institucionais. Ai dos que se dedicam exageradamente a estas. Nos dias de crise pessoal, as enfrentarão sozinhos. Mas, como disse, 2007 foi um ano inicialmente solitário. Pois, alguns bons amigos surgiram. Outros retornaram. E como enchem nossa alma após anos de imensa solidão!

– 2007 foi um ano de reinício ministerial. Tem sido um grande prazer estar numa igreja novamente. Com enormes diferenças, com instransponíveis vales. Mesmo assim, sendo tão diferentes, têm abençoado minha alma e vida. Como é bom sentir-se amado e acolhido por diferentes. Como é bom sentir-se amado por comunidade tão plural e diversa.

– 2007 foi um ano onde relacionar-se com Deus não significou mais relacionar-se com igreja alguma. Houve um divórcio definitivo deste conceito. Despedi-me, a dois anos, de uma comunidade extremamente doentia, com liderança imensamente moralista. O fantasma desta demora a ser expulso. Hoje, em família, continuamos valorizando igreja, mas não outorgamos a ela o papel de juízes, nem aos líderes o papel de sacerdotes. Somos livres em Deus e para Deus. A Graça dEle nos acolhe e nos transforma. Apenas a Graça dEle. Nada mais. Apenas Ele. Pessoa alguma mais.

 

– 2007 foi um ano de imensos detalhes especiais:

– Minha filhinha entrou na escolinha. E se desenvolveu muito bem. Que prazer vê-la, pequenininha, de roupa escolar;

– Minha esposa terminou duas especializações e uma pós-graduação, além de ser aprovada em Concurso Público;

– Saúde perfeita de meus pais, irmãos e cunhadas;

– Imensas e felizes transformações em minha vida profissional;

– Cuidado de Deus tão perto, tão visível em tão grandes livramentos;

– Reconciliações, perdões, ódio dissipado. Desejo de amar a Deus e desejo de amar as pessoas. De doar-se a elas.

– Minha sobrinha linda-Lídia começando a andar e falar.

 

Há tantas coisas. Muitas. Inúmeras. Registradas docemente pelo Espírito em nossas almas. Isso tudo, conjuntamente, cooperou para nosso bem. Por isso, não me despeço de 2007. Nunca mais. Os ensinos, os choros transformados em dança, a pedagogia sutil em todo o ano comprovando que Deus continua presente em nossa história, é que faz com que esse ano tenha sido, com imensa certeza, o primeiro ano do resto de nossas vidas.

 

Bem-vindo 2007. Se 2008 conseguir ser um pouco pior do que você, será ainda assim um grande ano. Não tenho pretensões de ter vários 2007’s. Esse foi um ano incomum. Distinto. Um marco.

 

Bem-vindo 2007 à minha história. 2008, lhe desejo paz, saúde, trabalho, reflexões, bons livros lidos, amor distribuído, amizades novas – e sinceras daqui pra frente – menos desigualdade social, mais justiça social, mais solidariedade, mais desejo de Deus – não de religião apenas – e, claro, que no mínimo você consiga ser mantenedor do que 2007 conseguiu fazer (Leia-se Deus conseguiu fazer!). Se assim for, será um ano maravilhoso.

Bem-vindo eterno 2007. Também 2008.

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