Um espaço para sermos …circunstancialmente…

Tales Messias

 

Tempos atrás recebi um e-mail onde continha várias frases. Algumas delas me chamaram atenção:

Não espere o melhor emprego para começar a trabalhar

Não espere um sorriso para ser gentil;

Não espere ser amado para amar;

Não espere ficar sozinho para reconhecer o amor de quem está ao seu lado;

Não espere ficar de luto para reconhecer quem hoje é importante para você;

Não espere a queda para lembrar-se do conselho;

Não espere a enfermidade para saber quão frágil é a vida;

Não espere por pessoas perfeitas para então se apaixonar;

Não espere a mágoa para pedir perdão;

Não espere a separação para buscar a reconciliação;

Não espere ter dinheiro aos montes para então contribuir;

Não espere elogios para acreditar em si mesmo.

 

Hoje, às vésperas de um novo ano, época em que geralmente nos auto-avaliamos, parei para pensar. Pensar em mim. Pensar nos outros. Pensar em amigos. Pensar no mundo. Avaliar a vida. Minha vida. Vida de amigos e familiares que, diretamente ou indiretamente, acabam por afetar minha própria vida e emoções. Por isso, talvez, o Saint-Exupéry escreveu que “somos responsáveis por quem cativamos”.

 

Nesses pensamentos…enumerei desejos…anseios pra mim, para os meus e para o mundo.

 

E a primeira conclusão desafiadora que desejo é: Quero dar frutos onde for semeado !

 

Temos uma tendência, doentia. Ou melhor, temos algumas tendências doentias em nossa vida:

1) Esquecer-se de anteriores tempos ruins – Temos a péssima tendência de, pouco a pouco, irmos nos esquecendo…lentamente…de tempos passados e que foram muito difíceis. Não é incomum ouvirmos pessoas queixando-se de outras afirmando: “Fulano é uma pessoa muito ingrata. Ajudei ele a vida toda, quando ele não tinha nada. E nem era ninguém. Hoje sequer ele olha pra mim”. Geralmente são pessoas que foram imensamente ajudadas mas, posteriormente, consideram seu crescimento unicamente fruto de seus próprios méritos. Começa a acreditar que os avanços são pagamento justo por suas próprias virtudes. Ledo engano. Outras vezes vejo pessoas extremante felizes, motivadas, pois conseguiram um novo relacionamento ou trabalho. Meses depois, esquecendo-se do antigo tempo de solidão ou desemprego, estão completamente desmotivadas e sem nenhum interesse inovador em seu trabalho. Falta comprometimento, criatividade renovada diariamente.

 

2) Esquecer-se de anteriores tempos melhores – É um problema diferente do anterior. Neste, temos a tendência à acomodação. E, pior, ao pessimismo. Esquecemo-nos de que, em tempos atrás, já obtivemos sucesso em alguma área. Esquecemo-nos de que, anteriormente, já tivemos tempos de imensa paixão e paz em nossos relacionamentos. Se um dia houve bons tempos, então significa que quando os tempos ruins chegarem precisaremos olhar para trás. Não como saudosismo, mas como lembrança de que podemos voltar a ter dias melhores. Seja em qual área for ! Quando estamos ensinando nossos filhos a andarem, não ficamos amedrontando-as sobre as quedas que poderão sofrer. Não ! Ficamos estimulando elas e, quando conseguem dar um passo apenas, gritamos e comemoramos a fim de que o único passo seja lembrado e sirva de estímulo aos outros. Mesmo que logo após o primeiro passo venha uma queda. Anos depois ela estará correndo !

 

3) Tendência ao comodismo – Diz Gandhi: “Se queres fazer História, não deves repeti-la”. Peço a Deus que nunca me torne um tradicionalista. Cultuando o que já vivi e o que já conquistei. Quero ser sempre contemporâneo! Quero estar falando e vivendo em meu tempo e para o meu tempo. Inovar-se. Ampliar-se. Ir além. Mais um pouco, cada dia. Não quero olhar para meu casamento e achar que ele já está no nível que deveria estar. Não quero olhar para minha casa, para meu trabalho, para minha função, para minha filha e achar que já alcançamos tudo o que gostaríamos e que agora cabe apenas a manutenção de meu quadro social. Não. Quero me negar a isso a cada dia. Quero buscar mais sempre: espiritualmente, financeiramente, individualmente, na vida familiar, profissional, emocional, social e intelectual. A estagnação causa apodrecimento, tal qual água parada.

 

4) Tendência ao medo – Diante dos obstáculos, quero aprender a contorná-los. É outra lição que podemos aprender com a água. Esta não se detém diante dos obstáculos mas apenas os contorna e continua seu caminho. O medo geralmente é causado por lembranças e experiências negativas na vida. Diante disso, cultivamos o medo de novamente voltarmos a sofrer as mesmas dores. É uma defesa natural da vida. Quero ir de encontro a esse medo. Mesmo que haja o risco de sofrer as mesmas dores. Com isso, quero perdoar meus amigos que me magoaram e traíram e que me deixaram sozinho diante das dores. Quero perdoá-los mesmo que novamente eu corra o risco de ser abandonado. Quero lançar-me em novos projetos no trabalho mesmo que minhas inovações sejam reprovadas. Mas, como disse Ford: “Há dois tipos de funcionários que as empresas não precisam: os que não fazem aquilo que se manda fazer e os que só fazem aquilo que se manda fazer”. Por isso, mesmo com risco da frustração, da dor e da reprovação, quero ir além do que está posto na minha frente.

 

Por fim, quero ser grato pelo que tenho hoje em minhas mãos. Mesmo achando que pode-se ir além. Quero olhar pra minha família – com olhar grato – mas buscar ser melhor marido e pai do que já fui até hoje. Quero olhar para meu trabalho – com imensa gratidão – mas quero, dia – a – dia, motivar-me mais. Auto-motivação. Mesmo que às vezes o desânimo e a desmotivação me tendenciem a andar a “passos de tartaruga”. Nesses dias, quero procurar um lugar, no trabalho, sozinho – com Deus – para que eu traga a minha mente as verdades ditas acima (que já tive tempos piores, que posso ir além do que já fui até hoje, que sou grato pelo que tenho até aqui). Quero olhar para minha saúde e, mesmo grato, quero perceber aquilo que posso mudar e melhorar. Enfim, olhar como um todo para todas as nuances que me envolvem e, com coração agradecido, motivar-me a caminhar em caminho novo e mais além do que já trilhado até aqui.

 

Num tempo de imensas e velozes mudanças quero cultivar esse espírito em mim: gratidão e inconformismo. Grato pelo que sou e tenho. Desejo de ir além.

 

Desejo isso pra mim, pra minha família, para meus amigos e para o mundo. Pois ainda não somos tudo aquilo que deveríamos e poderíamos ser, mesmo com todo o conhecimento disponível, tecnologia e civilidade.

Gratidão e inconformismo: minha oração.

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