Um espaço para sermos …circunstancialmente…

Jose Comblain encerrou seu sermão no THEOLOGANDO INTERNACIONAL realizado em São Paulo ( Outubro/2007 ), com uma pergunta que, segundo ele, a missão da igreja hoje, isto é, a igreja precisa decidir se ela deseja expandir a instituição religiosa ou se parecer com Cristo. Quer dizer, para de fato realizar sua missão na terra, primeiro ela, a igreja, tem que responder esta pergunta, EXPANDIR A INSTITUIÇÃO RELIGIOSA OU SE PARECER COM CRISTO? Pelo que temos visto, tanto a Igreja católica, quando a chamada igreja protestante e todas as suas derivações, todas, sem exceção, já decidiram, isto é, EXPANDIR A INSTITUIÇÃO RELIGIOSA é a missão da “Igreja Institucional”, insisto, sejam quais forem as vertentes desta igreja. Agora, é obvio que o cristão mais simples, acho que até mesmo os simplórios, sabem que o propósito final de Deus em nós, é nos tornar parecidos com Seu Filho, e que a tarefa maior da igreja é fazer, produzir, criar seres humanos melhores, que, num processo segundo Paulo, de Glória em Glória, chegarão à estatura de varão perfeito. Sabendo e crendo que a missão da igreja no mundo é se parecer com Cristo e, portanto, produzir seres humanos melhores, penso que o maior desafio das comunidades que desejam ser parecidas com Cristo é vencer a tentação de se institucionalizar. Digo isto porque, como hoje faço parte de um grupo informal, que apenas se encontra para reler o evangelho, celebrar o encontro, e  no encontro a presença de Deus, e na presença de Deus resignificar a vida, o que mais ouço, claro, não dos que estão sendo curados, restaurados e se reencantando com o evangelho de Jesus de Nazaré, não, estes estão felizes e livres, mas, dos que, embora com um discurso de que desejam se parecer com Cristo, ainda vivem para expandir a instituição religiosa, sim o que mais ouço é, VOCÊS À MEDIDA QUE CRESCEM INEVITAVELMENTE SE INSTITUCIONALIZARÃO. Terão que se estruturar, se organizar, formalizar e formatar. A tentação de se institucionalizar é grande. Primeiro, como dizem todos, é uma questão de ordem, isto é, se tornar uma pessoa jurídica, para tanto, estabelecer uma diretoria, que, certamente terá que desempenhar funções. Depois, segundo outros, não tem como, é necessário departamentalizar, isto é, criar os  chamados ministérios e daí por diante todos já conhecemos bem o final, ou seja, gente servindo a estrutura  e mantendo o bem estar da instituição religiosa. E para manter a instituição e sua estrutura tem que treinar seus membros e torná-los eficientes em servir a instituição e tudo isto com aquele discurso de que Deus se agrada disto e, portanto, Ele abençoará todos os que se tornam voluntários nos ministérios, nos departamentos e no desempenho das chamadas funções segundo seus dons, talentos e habilidades. Não importa quem são essas pessoas em seu chamado no mundo privado. Não importa que tipo de homens e mulheres são. Que tipo de profissionais, que tipo de cidadãos, que tipo de maridos, esposas, pais e mães, filhos. Importa que estão “servindo a Deus” através da instituição religiosa em sua estrutura. Importa que sejam “bons” presbíteros, diáconos, ministros, diretores de departamentos, etc…Por melhores que sejam os modelos, o que tem ficado cada dia mais claro é que as pessoas não estão sendo ensinadas a serem melhores seres humanos, elas estão se tornando mão de obra gratuita nas mãos de seus líderes e expandindo suas instituições, seus ministérios, suas TORRES, e que TORRES. As pessoas ficam boas, melhores equipadas pra eles, pra estrutura, pra instituição, não necessariamente pra vida e para os outros.  Seres humanos melhores não necessariamente é a preocupação destas instituições. Fosse a igreja voltar à sua missão, com que ela deveria se ocupar? Claro, com o que é o tema central do evangelho, ou seja, ensinar os seres humanos a olhar como Jesus olhou, ouvir como Jesus ouviu, tocar como Jesus tocou, perdoar como Jesus perdoou, repartir o pão como Jesus repartiu. Aprender ir a festas e velórios. Freqüentar os altos escalões do mundo corporativo, mas, freqüentar também os hospitais. Transitar pelos corredores dos palácios governamentais, mas, transitar também nas associações de bairros, nas favelas e nas periferias. Percorrer corredores de condomínios de alta classe, mas, também corredores de presídios. Saber ir a praia, mas, ir ao deserto também. Um ser humano melhor é o resultado dos que são confrontados com Jesus e na presença dEle e sob a influência do Seu Espírito, tornam-se homens e mulheres melhores. Homens e mulheres melhores ocupam-se consigo mesmos para viverem em equilíbrio e tomarem decisões com bom senso. Cuidam do corpo, buscando nunca exagerar em nada. Cuidam de suas almas buscando manter suas emoções em níveis adequados. Cuidam de seus espíritos para que haja saúde espiritual suficiente para suprir a si mesmos e a outros. Nem mesmo seres humanos com BOM SENSO a instituição tem produzido. Seres humanos melhores olham a volta e vêem o outro tornando-se solidários, encorajadores, suporte na vida de muitos. Seres humanos melhores ocupam-se com o bem estar do planeta e acabam se engajando em projetos que visam fazer com que o mundo dure mais e nossos filhos e netos possam ver o que nós vimos. Seres humanos melhores lutam contra a pobreza, a injustiça, os pré-conceitos, as discriminações, as desigualdades sócias, raciais, culturais, religiosas, etc…Ficam algumas perguntas ou sinceras reflexões como: No que um suntuoso templo torna um ser humano melhor? No que ricos utensílios, equipamentos de primeira, aparatos tecnológicos,  logística, estratégia, organização pode tornar um ser humano melhor. No que a mídia nas mãos de religiosos em todas as suas infinitas possibilidades torna um ser humano melhor? No que os treinamentos mais apurados torna um ser humano melhor? O Reino de Deus é simples, então, porque tanta sofisticação, e, no que esta sofisticação torna um ser humano melhor? Jesus resume tudo em um único mandamento, “AMA A DEUS E AO TEU PRÓXIMO COMO A TI MESMO” No que as estruturas religiosas tem contribuído para que tenhamos seres humanos que AMEM A DEUS, AMEM O PRÓXIMO COMO A SI MESMOS? Entre seres humanos melhores só existe uma competição, qual seja, QUEM AMA MAIS A DEUS, QUEM AMA MAIS AO PRÓXIMO COMO A SI MESMOS. Enquanto estivermos competindo para construirmos torres maiores que as do próximo, certtamente ainda estaremos distantes do ideal de Deus para aqueles a quem Ele tanto amou. Ideal que tem a ver com uma compreensão mínima, básica do evangelho da Graça  do nosso Senhor Jesus Cristo.  É hora de tornarmos os seres humanos melhores para Deus, melhores para o próximo e melhores para si mesmos. É hora de libertar os seres humanos do julgo imposto pela estrutura religiosa que os tornam escravos de homens e sistemas. É hora de, no mínimo, colocar as estruturas religiosas a serviço das pessoas. É hora de romper com este sistema religioso que algema seres humanos. É hora de uma DOCE REVOLUÇÂO, que torna os seres humanos em seres livres. Livres em suas consciências visitadas e transformadas pela Graça de Jesus que os faz serem hebreus, nômades, andarilhos, desinstalados, desapegados, mortos para o sistema mundano e vivos para viverem o amor e graça. Sendo no mundo, sal, luz, perfume, cura, perdão e tudo aquilo que é decorrente de uma vida entregue e abandonada nas mãos do Eterno, que se revelou em Cristo na eternidade e na historia e que habita entre nós e em nós para que tudo nEle se convirja e se aperfeiçoe. A Ele honra e glória para sempre. Amém.

Carlos Bregantim

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