Um espaço para sermos …circunstancialmente…

Tales Messias

 

Em meio a Muruci, Cupuaçu, Açaí, Peixe Filhote, Taperebá, Tucupi, Takaká, Tucunaré, Maniçoba e tantas outras delícias do Pará…após dias longe de casa…conseguí parar. Parar um pouco. Pra pensar, escrever, encontrar-se comigo.

 

Penso em como a vida é breve (como bem refletiu Sêneca em seu “Sobre a brevidade da vida”). Penso e relembro de momentos antigos, de amigos antigos (que só encontramos agora virtualmente, no orkut). Lembro de momentos felizes (de alguns destes, só fotos restaram). Relembro tempos de tanta agonia na alma, e choro. Alegro-me em poder ver que a maioria daqueles tormentos e fantasmas se foram.

 

Como a vida é breve…somos como sopro…que vai-se rapidamente…

 

Hoje, logo cedo, no café, lia o jornal local anunciando a trágica morte de dois bebês, misteriosamente, em um hospital. Em outra notícia, estampa-se a morte de uma jovem, muito bonita, estrangulada por um namorado porque tinha ciúmes do ex-namorado. Aos pais…apenas lamentações…e saudades.

 

Volto a pensar na vida e em sua brevidade. Por que, sendo ela breve não valorizamos o que perdura por mais tempo? Por que não nos ocupamos com o que valoriza a vida…já que a temos por tão pouco tempo? Por que gastamos tanto dinheiro com o que é supérfluo? Para que valorizar tanto uma máquina? Para que hipervalorizar uma construção? Por que demandar tanto tempo com carros, shoppings, consumo, compras, TV? Essas coisas só ganham valor se se voltarem para um fim humano. Se no shopping formos não para “gastarmos tempo”, ou dinheiro. Mas, se formos para sentar com um amigo e tomarmos um bom café, regado a comunhão e compartilhamento.

 

Hoje, após viver um pouco mais…nossos valores mudam. Continuo gostando de computador, TV, Shopping, carro. Mas, um tantinho de tempo com minha filha é mais precioso. Há dias longe dela, adoro ouvi-la dizer no telefone: “chaudade, painho”. Longe de minha esposa, vejo o quanto vale a presença e o amor dela. Na saudade, notamos o valor da presença. A pouco liguei para meus pais, apenas para ouvi-los dizer: “está tudo bem”. Ainda hoje pela manhã, um amigo do trabalho me contava da história de sua sogra, com 55 anos, que caiu de um degrau, pequeno, mas suficiente para quebrar seu pé, com fratura exposta. Em minha mente, visualizei meus pais. Num instante, quase automático, meus pensamentos juntaram-se com os de Deus…em oração. Ali, na mente, olhos fechados, enquanto ouvia aquela história, “falei” a Deus: “cuida de meus pais, Senhor. Cuida deles. Poderia ter sido eles. Cuida. Só peço isso. Amem”. São momentos…tempinhos de ligação com a eternidade…com o divino…um sorriso amigo, um abraço de quem ama e amamos…um beijo de uma criança…um café com um amigo que termina com lágrimas nos olhos por contar segredos tão bem guardados mas necessitados de serem manifestos…uma ligação de alguém especial apenas para nos dizer o quanto lembra de nós…uma gentileza de um desconhecido apenas por vontade de ser gentil…um “bom dia” num elevador, simples, mas suficiente para iniciar uma pequena relação… um elogio não esperado…um cartãozinho sincero dizendo coisas que o outro já sabe mas que precisa ouvir…esses momentos se eternizam. Esses sim se perpetuam.

 

Após isso…peço apenas que eu viva mergulhado no dia a dia tão regado por urgências não importantes, mas que eu lembre daquelas coisas que são mais importantes…mesmo não ganhando o caráter de urgentes. Peço isso. A Deus também.

 

 

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