Um espaço para sermos …circunstancialmente…

Tales Messias Ferreira

 

          Uma observação rápida nos jornais é suficiente para nos chocarmos diante de tanta violência e auto-destruição: uma garotinha de 11 anos morta na garagem do edifício de seus tios, espremida entre o carro e uma pilastra; o Estado preocupado com o uso das “buzinas” como droga, entre a juventude, no período do carnaval; bebê que leva um tiro dentro de um ônibus durante tentativa de assalto; violência aumentada no Quênia devido a guerra entre tribos que já levou a morte quase 1000 pessoas. O sofrimento humano nos encontra e nos deixa vulneráveis a todo instante. As perguntas que geralmente surgem em momentos assim são: Onde Deus está? Por que Deus não termina com esse sofrimento? Se Deus é bom por que tanta maldade causadora de tanto sofrimento? Se Deus é Todo-Poderoso por que não demonstra poder e vontade em acabar com todo esse sofrimento? Por que seu silêncio e aparente apatia diante de todo o sofrimento humano?

           Jesus, como afirmam alguns, não veio aqui apenas para ser um Profeta, ou uma “pessoa iluminada”. Além de nos trazer salvação, por sua morte e ressurreição, Jesus inaugurou um novo Reino, onde, neste, a vontade de Deus é realizada tanto quanto existe no céu. Um novo Reino, com novo estilo de reinado, com o fim de uma nova humanidade. Ou a restauração desta. Neste novo Reino, uma de suas marcas seria a solidariedade. Por esta, muito dos sofrimentos seriam sanados…ou minimizados. Quando Jesus tocou em leprosos, gente que ninguém poderia tocar na época, ele não queria apenas curar aqueles doentes, ele pretendia curar a humanidade de sua natureza excludente, preconceituosa e insensível. Queria nos ensinar sobre solidariedade. Quando Jesus envergonhou aqueles homens que queriam apedrejar a mulher pega em adultério, afirmando que só deveria atirar pedras quem não tivesse pecado, ele não queria apenas “livrar” a mulher das pedradas. Não só isso. Ele queria ensinar que em seu Reino, a humanidade deveria se despir de toda hipocrisia, inclusive religiosa, que lotam os templos e que pregam piedade e religiosidade mas que não consegue enxergar os pecados dos outros como dignos de serem ajudados e, ainda, que impede de nos vermos como iguais, como pessoas potencialmente capazes de sofrer os mesmos problemas e cometer torpezas tanto quanto o outro. Sem distinção de gênero, de cor e muito menos de função, pois muitos de nossos títulos apenas nos servem de esconderijo para nossos desvios morais travestidos de piedade.

          Se aprendêssemos com Jesus, nos importaríamos menos com nossas estruturas materiais eclesiásticas e mais com nosso próximo – e este pode ser encontrado em qualquer estrada diária (tal qual o samaritano da Bíblia); enxergaríamos os olhos marejados por tanto sofrimento; perceberíamos, no trabalho, aqueles que lutam internamente – e silentemente – com tantos problemas e que necessitam de um amigo com quem dividam as cargas; leríamos os jornais e as más notícias como sendo co-responsáveis para buscarmos mudanças e transformações sociais, mesmo que em nível micro: em nossos ambientes de trabalho, em nossa casa, em nossa rua; olharíamos para os pobres como Jesus os enxergou – “sempre que deste um alimento, um copo de água a um destes pequeninos, a mim me deste…sempre que os cobriste…a mim me cobriste…”.

         Solidariedade. Amor ao próximo. Os valores de um Reino. Não de uma religião. Não de um movimento. Não de uma instituição. Valores de um novo Reino, que busca simplesmente tornar homens, em homens semelhantes a Jesus. Que foi homem. Que viveu entre nós. Que nos ensinou a ser homens. Uma nova humanidade. Como a que Ele criou. Um retorno. Diante do sofrimento Deus nunca esteve apático, ausente. Nos enviou Jesus para nos ensinar uma nova consciência de como deveríamos viver. Solidariedade.

 

 

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