Um espaço para sermos …circunstancialmente…

Tales Messias 


            
"Sorrir. Quando a dor te torturar. E a saudade atormentar. Os teus
                          dias tristonhos, vazios
              Sorrir. Quanto tudo terminar. Quando nada mais restar. Do teu sonho  

                          encantador
              Sorrir. Quando o sol perder a luz. E sentires uma cruz. Nos teus
                         ombros cansados, doloridos
             Sorrir. Vai mentindo a tua dor. E ao notar que tu sorris.Todo mundo irá supor
                        Que és feliz" (Djavan)

Desde cedo somos instados a mentir: "não chore. Homem não chora". Na
adolescência fingimos ser os outros, nos travestimos de nossos amigos
populares, de artistas e buscamos ser o que gostaríamos. No trabalho,
lotam as empresas de funcionários que fingem ser eficientes quando
diante de seus superiores. Se vamos às igrejas, mentirosamente pregam
que não sofrem e prosperam aqueles que amam a Deus. O Filho DEle foi
chamado de servo e de sofredor.

O mundo, a sociedade, com suas convenções e instituições, rejeita o
sofrimento humano. Rejeita os males externos bem como os internos.
Esses últimos, além de evitado é, também, negado. Cobramos nos outros
aquilo que em essência somos. Dói enxergar nossos próprios defeitos,
mesmo que eles venham espelhados nos outros. Por isso, afirmou o
filósofo Sêneca "Os males de que foges estão em ti".

Nos irritamos com quem amamos pois queremos que eles não repitam
nossos defeitos que já nos aborrecem tanto. Surramos nossos filhos
pois não queremos que eles nos repitam. Demitimos nossos funcionários
pois eles não nos complementam, são incompetentes… nas mesmas coisas
que nós. Temos ciúmes, pois tememos que os outros façam o que fazemos.

Com isso, com o treino diário da vida, vamos nos escondendo.
Valorizamos ser críticos para afastarmos nossos piores fantasmas. Não
elogiamos pois seria aceitar o outro melhor do que nós em áreas
diversas.

Somos mentirosos. Conosco mesmos. Somos fingidos. Com nossa própria
alma. Tentamos nos convencer que somos melhores do que o espelho teima
em mostrar.

Buscamos cólo, mas demonstramos altivez. "Rimos, pra não chorar". Não
sou a favor de uma tristeza contínua. Defendo uma alegria sincera.
Defendo uma maturidade sadia, provinda não de uma vida com títulos,
diplomas e uma boa conta bancária. Marcas do que afirmamos ser um
"vencedor". Mas, uma maturidade de alguém que sensível ficou pois
coragem teve de enxergar a si mesmo. E chorou por se ver. E
amargurou-se por se reconhecer. E angustiou-se por sua imagem. Mas,
docilidade, gentileza e sensibillidade brotaram pois se vê um igual
agora. Vê no outro a imagem de si. E constrói-se a partir da imagem de
quem é o outro.

A vida: poço de surpresas. Excelentes por vezes (como a sobrevivência
de minha filha que teimou em ir-se por um momento, logo no nascimento. Mas, por bondade divina está conosco).

Outras…
doloridas e emudecedoras. Que nos levam à perplexidade e prostrados
ficamos.

Nesse mistério, em nossa história, peregrinamos. Resta-nos a
continuidade do fingimento aplaudido pela sociedade. Ou, para nós
primeiramente, nos buscarmos, irmos atrás de nós mesmos, e, ao menos
pra nós, deixar nossa imagem real surgir. A partir disso, deixar como
legado para nossos filhos a sinceridade, a transparência, a
auto-aceitação e a busca contínua por, reconhecendo quem somos,
buscarmos ser quem ainda não somos.

 

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