Um espaço para sermos …circunstancialmente…

Tales Messias

 

Eu sei, eu sei que decidimos amar. Que amar é fruto de uma decisão consciente.

Sei que podemos reger e alimentar racionalmente nosso amor dia a dia…para que não corramos o risco de vê-lo esvaindo-se pouco a pouco.

Sei que podemos agir de forma que, propositalmente, o sintamos crescendo ou diminuindo dentro de nós.

 

Mas, sei também …ou melhor apenas “sinto” pois diante de questões do coração nem sempre temos plena certeza (“pois o mesmo é enganoso”) … que existem dias onde amar se torna mais difícil, onde nos vemos incapazes de disso. Nos sentimos impotentes. Frios. Distantes. Com imensa tendência ao deserto e silêncio. Mesmo à solidão. Sentimos nosso coração com desejo de estar perto apenas de nós mesmos. Mesmo que isso também não nos dê sentimento de preenchimento.

 

Nesses dias, só buscamos nossa sombra por companhia. Nesses dias apenas ansiamos pelo suspiro de nossa própria alma. Buscamos alguém perdido. Esquecido. Alguém que se foi em nossa história. Buscamos pelos fatos e momentos onde essa pessoa vivia mais perto. Buscamos, lá dentro, alguém simples, humilde, com tempo para nos ouvir, com tempo para nos aconselhar a alma. Tempo em que eu podia chorar sem medo. Tempo em que eu podia ser eu mesmo com esse “alguém” sem medo de sentir-me rejeitado e nem pressionado a ser outro. Em dias assim, procuro esse “outro” esquecido… o “Tales” que se foi no tempo… que era meu melhor amigo. Busco por mim naquele tempo… a fim de restaurar algo que não se restaura: o tempo. Busco de mim o que nunca deveria ter perdido. Busco aquele que nunca deveria ter se despedido.

 

Faço isso não de forma previsível. Não há agendamento para se buscar a nós mesmos. Ouve-se apenas a própria alma. Ela se habilita a nos avisar quais são esses dias. Pois nesses, ela nos busca. E nos procura. Quando sente saudades do que éramos. Ela então nos sinaliza…de que precisamos parar. Rever em quem nos tornamos. A fim de que a perda não seja nunca defitiva…nem completa.

 

Por fim, percebo que nesses dias em que nossa alma geme…ansiando por nós mesmos…por sentir que houve perda… nesses dias é difícil amar o outro. Porque amamos quando sentimos coerência em nosso coração. Amamos quando coração e mente obedecem a uma só razão. Quando isso foge, no máximo nos apaixonamos . Ou, ao contrário, nos irritamos com o que é singelo e verdadeiro. Há engano! Há falsidade! Há confusão de sentimentos!

 

Por isso, em dias que se percebe ser difícil amar… aconselho (a mim mesmo!) ir em busca de mim mesmo. Pois em dias em que não me encontro, dificilmente inclino-me a encontrar o outro. Em dias onde me sinto solitário – mesmo em meio a quem me ama – preciso buscar quem de mim deixei pra trás. Pois, quando integralmente presente, e em Deus, e mergulhados no amor de Deus – pois só nEle nos encontramos completamente – nos inclinamos a amar também. NEle, nos vemos e nos encontramos. Nesse encontro conosco, vemos o outro.

 

 

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