Um espaço para sermos …circunstancialmente…

 Tales Messias

 

Acredito demais no evangelho para continuar me identificando com a mensagem e práticas da maioria evangélica.

 

Acredito demais nos benefícios da confissão e transparência (por isso, que todos meus tropeços públicos foram confessados publicamente, nunca descobertos por alguém) para continuar comungando do sentimento homicida da maioria evangélica que adora matar os pecadores confessos;

 

Acredito demais na Graça de Deus que nos acolhe da forma que somos (e estamos) e que também nos transforma para continuar me identificando com o conteúdo moralista / legalista da maioria evangélica;

 

Acredito demais no sacerdócio universal e nos dons que se manifestam em todos para continuar concordando com a liderança sacerdotal da maioria dos pastores evangélicos, que necessitam de uma multidão dependente deles, que – por serem tão inseguros – precisam tanto de títulos a fim de que afirmem através deles. Eles não só se afirmam, mas passam a ter apenas identidade pessoal caso esteja acompanhado de seu título de pastor / reverendo.

 

Acredito demais na mensagem de Jesus para que continue concordando com o dízimo sendo ensinado como uma obrigação a todos os fiéis, inclusive chamando de ladrão aqueles que não dizimam. Jesus chamou de mercenário os líderes que se tornam “pesados” ao povo, que enriquecem as custas do povo, que desfilam de carro novo as custas do povo, que viajam nas férias para suas casas de praia as custas do povo. Alguns inclusive pedem que seus salários sejam mascarados em várias contas (aluguel de casa, estacionamento, etc) a fim de que o salário líquido seja menor e assim possam sonegar imposto de renda. Esses são os ladrões e mercenários que Jesus intitulou. O povo dá dinheiro conforme determinou no seu coração não conforme o pastor determinou.

 

Acredito demais na mensagem do evangelho para que eu valorize a massa e grandes multidões, quando Jesus disse que onde estiverem dois ou três reunidos em nome dEle, Ele estaria no meio destes.

 

Acredito demais no apelo do evangelho para que vivamos como irmãos, em comunhão, para que eu acredite nas mega-igrejas;

 

Acredito demais no Espírito Santo para que eu continue comprando os “pacotes” prontos dos executivos da fé, que prometem nos ensinar sobre todas as boas estratégias sobre absolutamente tudo: como amar, como fazer a igreja crescer, como ser santo, como ser dominado pelo Espírito, como evangelizar, como pregar, como descobrir seus dons, como fazer a igreja ter comunhão, como curar as feridas da alma…etc. No fundo eles domam o povo a fim de que pensem de uma só forma. Matam a diversidade. A criatividade do Espírito. Cerceiam o povo a fim de que pensem da forma que a liderança pensa e apenas façam aquilo para o qual foram domadas a fazer.

 

Acredito demais no louvor a Deus para que continue concordando com a redução dele à música e para que eu continue assistindo ser pregado que aquelas músicas que se cantam na igreja são as únicas formas de se louvar.

 

Acredito demais no evangelho que nos ensina a irmos em busca dos excluídos e esquecidos para que eu continue assistindo a elitização das igrejas onde a voz é dada prioritariamente aos ricos. Isso é a reprodução do pecado social dentro das igrejas. Jesus nunca fez isso. Nunca desprezou os ricos, mas ensinou a eles de onde vêm a desigualdade social e como dividir faz parte de nossa conversão a Ele.

 

Acredito demais em Jesus, em como Ele viveu, em como Ele andou, nos atos que praticou, no Reino que inaugurou, no evangelho, para que eu continue me identificando com os “evangélicos”. Agradeço hoje a Deus por ser cristão, seguidor de Jesus Cristo. Apenas isso. Mas com todo o significado que tudo isso significa.

 

Acredito demais nos evangelhos para que eu me orgulhe do que foi dito. Foi dito, mas com pesar e tristeza. E com muita paz por saber que Jesus é que continua tendo a palavra final sobre a igreja dEle.

 

 

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