Um espaço para sermos …circunstancialmente…

Tales Messias Ferreira

 

 

Semana triste em minha vida. Dessas que a terminamos com um enorme peso emocional nos exigindo um desabafo. Por isso escrevo. Principalmente por dois fatos principais essa semana foi negativamente marcante: por um lado assisti chocado o seqüestro de duas adolescentes – por um jovem de 23 anos – terminar de forma tão trágica: a ex-namorada do rapaz baleada na cabeça e virilha e por isso terminando num estado gravíssimo de coma induzido (depois, morte) e sua amiga com um tiro na boca. Quanta tristeza. Quanta dor reproduzida. Penso nos pais, sendo eu pai também. Penso nos pais do rapaz. Penso no rapaz, em seu desequilíbrio emocional e em tantos outros jovens igualmente desequilibrados emocionalmente que devem existir bem perto de nós (E nem sempre os motivos do desequilíbrio se encontram neles próprios). Penso na dor dos pais das meninas e vejo que meu pensamento confunde-se com um medo horrível de um dia me encontrar em situação semelhante. Penso nas meninas e nos traumas e seqüelas emocionais e físicas. Penso em como a população de forma imediata trata o rapaz como “louco” e “monstro” sem discernir que por vezes nós mesmos criamos um ambiente propício a essas “loucuras” e “monstruosidades” brotarem. Às vezes, inclusive, dentro de nossa própria casa.

O outro fato, igualmente triste, foi eu ter presenciado – retornando do trabalho – um assassinato. Aconteceu a poucos metros de mim. Vi um Policial matar um jovem (depois li que era um ex-presidiário) a queima roupa com quatro tiros, em Boa Viagem. Voltei pra casa naquela noite transtornado. Por um lado vi a violência pela televisão, mas com a proteção por estar apenas assistindo sem que estivesse fisicamente próximo da violência. De toda forma nos dá uma sensação de que aquilo está longe de nós. Por outro, vejo o quanto todos nós estamos vulneráveis a sofrer violência ou assisti-la de forma extremamente próxima.

Uma pergunta sempre presente quando em meio a muito sofrimento é: Por que Deus permite que fatos como esses aconteçam? Ou ainda: Se Deus é bom, por que permite tanto mal?

A única resposta que encontro diante de tudo isso é que Deus nunca planejou que vivêssemos mergulhados em tanta maldade. Deus nunca projetou que a criação dEle (criada por Ele e para Ele) se afastasse tanto de seu Projeto Original. Mas, diante disso, sempre uma outra pergunta vem a mente: “Ele é impotente para que nada possa fazer diante da maldade crescente?”. E a resposta dEle foi vir aqui nos ensinar a viver. A resposta dEle foi ter vindo aqui não apenas trazer redenção futura, mas nos ensinar a viver hoje. Nos ensinar a ser gente. Por isso, enquanto Jesus tocava em leprosos Ele não tinha apenas intenção de curar pontualmente alguém mas ensinar a humanidade de que todos nós precisamos sentir a dor do outro e, mais que isso, que todos nós precisamos ir em direção daquele que vive excluído socialmente (como eram os leprosos). Quando Jesus citou – naquela cena magnífica da mulher flagrada em adultério e merecedora de apedrejamento segundo lei judaica – que “atire a primeira pedra aquele que não cometeu pecado” queria nos ensinar a não considerarmos monstros e loucos o erro dos outros sem, antes, pararmos para considerar nossos próprios erros, loucuras e monstruosidades, feitas às vezes em secreto. Quando Jesus multiplicou pães para famintos nos ensinava que muito das dores dos outros podem ser aliviadas através da solidariedade.

Por isso, diante de tantas más notícias e tristezas apenas posso desejar aprender mais com Jesus sobre como eu devo ser. E afirmar que há um novo modo de ser gente, de se viver, de se relacionar.  Olhando para o Cristo.

 

 

 

 

 

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