Um espaço para sermos …circunstancialmente…

Tales Messias

“Devia ter amado mais, ter chorado mais, ter visto o sol nascer. Devia ter arriscado mais e até errado mais. Queria ter aceitado as pessoas como elas são. Cada um sabe alegria e a dor que traz no coração. Devia ter complicado menos, trabalhado menos, ter visto o sol se pôr. Devia ter me importado menos com problemas pequenos. Ter morrido de amor.” (Titãs)

Às portas de um novo ano, época em que nos auto-avaliamos e projetamos o futuro, essa música me veio à mente. E pensei em como gostaria de viver segundo os valores que acredito! Pois creio que precisamos valorizar mais a mesa de jantar que a de negócios. Valorizar mais meus chinelos que os sapatos sociais. Mais meus livros que as planilhas financeiras; mais sentar no chão com minha filha do que sentar num escritório; mais sorrir com amigos do que por obrigação e “educação”; mais um abraço íntimo que um aperto de mão negociado; mais o sol que a paisagem pela janela do escritório; mais o que o olhar e o corpo do outro me comunicam que as palavras esmaltadas.

Como fazer isso se a vida impõe um ritmo onde tudo é tiranicamente urgente? São planilhas, análises, agendas, gráficos a serem desenvolvidos, relatórios a serem escritos, projetos pendentes e sempre urgentes. Em casa, por tudo o que foi mencionado, temos poucos minutos para “engolir o café” e, à noite, encontramos apenas parte da família acordada ao retornarmos. Como viver da forma que acreditamos e valorizamos?

É o meu desafio também! Acredito que tudo isso deve ser vivido sem esquecermos do que é prioritário. Diferindo o que é importante do que é apenas urgente. Assim sendo, tenho esperança de, nos poucos momentos de dedicação ao que é importante, fazê-los inesquecíveis. Podem ser pequenos, mais curtos, em relação ao todo. Mas, podem ser mais intensos. Mais vivos. Mais sinceros. Mais sensíveis. E esses pequenos momentos é que nos darão lucidez para viver o restante de nosso tempo – presos às urgências – mas sem perdermos os valores internos, as prioridades bem definidas, a ética pessoal do que é negociável e inegociável. É fazer com que os pequenos momentos suplantem os outros. Como exemplo, é fazer com que aquele momentinho – no final do dia – onde me deito após intenso trabalho e ouço minha filha debruçando em meu peito pedindo baixinho: “conta uma historinha pra mim, painho!” e, lá dentro, de imediato ouço minha voz cansada se opondo a isso, tentado a responder: “agora não minha filha, estou cansado”. Ao invés disso, conto para ela a mesmíssima história de ontem. De novo. Mas sendo recebida de forma nova. Com seus olhinhos atentos. História tão repetida que ela já a complementa, de tão decorada. Enfim, é fazer desses minutos os regentes de todo o restante do dia. É fazer que estes momentos, curtos, sejam capazes de trazer motivação, ética, amor, valores, espiritualidade, sensibilidade a tudo o que faço nas outras horas do dia. É assim que busco viver. Sabendo que, como dizem os titãs, algo vai nos proteger enquanto andarmos distraídos. Mas não é o acaso. É Deus.

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