Um espaço para sermos …circunstancialmente…

A Partida. Esse é o título de um excelente filme que assistí hoje. A Partida é um filme japonês, vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro de 2010. Um filme sensível, com ótimos diálogos e tendo como enredo principal a história de um jovem japonês que luta com seus desequilíbrios emocionais fruto do abandono do pai, morte prematura de sua mãe e frustração profissional. Ele, então, começa a trabalhar em uma agência funerária preparando cadáveres para serem enterrados/cremados. Lidando com o fim ele aprende a recomeçar sua vida. E começa a se reencontrar emocionalmente.

Sua vocação e talento é visível: tocar violoncelo. Ele faz isso com prazer! Essa é sua grande vocação e dom. Mas, não consegue trabalhar e ganhar dinheiro em sua vocação. Por isso, acaba dedicando-se a ser agente de uma funerária.

Com o tempo ele descobre que mesmo não trabalhando naquilo que é vocacionado, ele pode buscar ter prazer no que faz. E, pouco a pouco, torna-se num excelente agente funerário. Ele não apenas veste defuntos. Ele torna o momento de maior dor de uma família em um momento inesquecível. Mesmo doloroso, ele ajuda a ser um momento especial pela forma com que trata os cadáveres. É impressionante. Ele torna uma profissão não desejada em algo especial transformando o momento do enterro em algo impactante.

E o violoncelo?                                                                                                                                 …ele continua tocando todos os dias. Para ele! E para quem mais quiser ouvi-lo. É sua vocação!

O que acredito hoje e que este filme retrata muito bem: deve-se separar vocação de receita. Já quis ganhar dinheiro com o que gosto. Com aquilo que tenho como dom/talento. Hoje não penso mais assim. E acho que todo jovem deveria desvencilhar vocação de salário. Precisamos buscar ter um emprego que nos dê uma vida com dignidade, que nos proporcione criar bem nossos filhos dentro de um padrão suficiente para que toda a família não sofra privações. E essa profissão não precisa necesseriamente ser a nossa vocação. Seria, simplesmente, o nosso “ganha pão”. Seria nosso emprego. Iria nos suprir daquilo que materialmente precisamos. Só isso.

Porém, nossa vocação não pode ser esquecida. Precisa ser exercida. Mas, não precisa gerar dinheiro. Não precisa ser fonte de receita. Precisa ser exercida a fim de que não fiquemos frustrados e sem sonhos. A vocação é nosso dom. Exercemos de forma voluntária até.

Felizes são os que podem viver com salários recebidos pela vocação exercida. Mas, são poucos em nosso país. Bem poucos. Faz bem à juventude não pregarmos que eles devem ganhar dinheiro naquilo que gostam. Essa mensagem não faz bem… De que adianta fazer o que gosta e viver-se uma vida de imensas privações? Será tão frustrante quanto não se exercer a vocação.

Minha mensagem hoje é essa: encontre um ofício que lhe dê uma boa receita. Mesmo naquilo que não gostamos (como no filme…aprenda a gostar!). E continue exercendo sua vocação sempre…sem exigir que esta lhe dê retorno financeiro. Dessa forma, não há frustração vocacional e nem financeira.

Comentários em: "VOCAÇÃO X EMPREGO TOMANDO CARONA NUM FILME…" (1)

  1. Juju disse:

    Muito bom! Adoro suas opiniões!

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: