Um espaço para sermos …circunstancialmente…

A LISTA

“Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás

Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais…

Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar!
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar…

Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora?
Hoje é do jeito que achou que seria
Quantos amigos você jogou fora?

Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender?
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber?

Quantas mentiras você condenava?
Quantas você teve que cometer?
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você?

Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver?
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você?” (Oswaldo Montenegro, A Lista)

A Lista (Tales Messias)

Resolví fazer a lista recomendada pelo Oswaldo Montenegro. Mergulhei de volta num tempo antigo…apenas da adolescência em diante…

Relembrei meus dois principais amigos da adolescência. Há, pelo menos, 15 anos que não tenho nenhum contato com eles…nenhuma notícia. Depois, mais jovem, tive uns 10 bons amigos. Amigos bem íntimos onde dividíamos tudo, quase sem segredos. Hoje, vejo apenas um dois desses. Mas, hoje não são nem a sombra da amizade e cumplicidade que tínhamos. Os outros há anos que não vejo mais… Outros amigos ocuparam esses lugares. E, mesmo os atuais, a sensação é que alguns deles pouco a pouco já estão indo também…

Relembrei sonhos que eu tive. Alguns bem revolucionários. Fomos chamados – junto com meus 10 amigos que citei – de subversivos. Eram bons sonhos. Sonhos bonitos. Com motivações das mais sinceras. E não eram sonhos individuais. Eram coletivos… Hoje, sonho com minha filha. Em vê-la crescendo. Em não ser atrapalho para ela. Em ser motivador e não cerceador dela.Em prover para ela todo o pano de fundo necessário para que ela seja o que Deus planejou que ela fosse.

Relembrei valores que eu tinha. Coisas que eu condenava severamente. Quantas vezes julguei e condenei pessoas de acordo com essas crenças/leis. Como me arrependo hoje. Quantos dos erros condenados eu mesmo cometi. E de novo. E precisei de perdão por eles. Foi quando precisei me perdoar por ter condenado a tantos. E por ter me dado o direito de ser juiz.

Relembrei pessoas que pareciam me amar tanto. Para depois vê-los virando as costas quando mais precisei. Relembrei pessoas que pareciam não me amar. Para depois vê-los me apoiando e amando em momentos cruciais.

Relembrei momentos observando minha filha. Algumas coisas que ela faz fizeram minha mente percorrer o que eu já fiz. Meu time de futebol na minha rua, as brincadeiras  com meus irmãos e vizinhos em dias que pareciam intermináveis. Os encontros e os inúmeros desencontros. Os amigos da escola. As universidades. A igreja onde freqüentávamos. Os locais de trabalho. De cada lugar há herança. Alguns deixaram um legado bonito que traz sorriso ao lembrar. Outros, tristemente vividos, trazem sombras nas lembranças.

Há grandes ganhos neste exercício de listar:

– perceber que nada é perene. Nada é eterno. Nada daqui – com relação às experiências, relacionamentos, bens materiais – permanece sem interrupções.

– valorizar o que se tem hoje e com quem se relaciona hoje certos de que os momentos atuais daqui a pouco poderão tornar-se em apenas lembranças. Isso com relação aos pais, filhos, amigos, esposas, namoradas, irmãos e tudo o que estiver relacionado de forma afetiva conosco.

– aprender que devemos ter valores. E vivermos dentro dos valores que cremos. Mas, aprendermos que nossos valores não são melhores do que os dos outros. São apenas nossos. Não devem ser impostos a ninguém. Nem se tornar motivo de discórdia. Devem ser vividos posto que neles acreditamos. Mas, com imenso respeito pelo que os outros acreditam.

– ensina que àqueles poucos que nos amam e que compartilham de sua intimidade conosco devemos ter um imenso carinho, respeito, zelo e amor. São poucos e, muito provavelmente, não devem durar pra sempre, por isso devem ser muito valorizados enquanto perto.

Outras grandes lições poderíamos reter. Essas bastam até que aprendamos.

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