Um espaço para sermos …circunstancialmente…

Estou cada dia mais convencido de que as coisas que mais menosprezamos são as mais valiosas.

Já disse um escritor que escrevemos apenas um livro durante toda a vida. Apenas o aprofundamos a cada vez que escrevemos. Por isso, aqui retorno a um tema que já falo há bastante tempo.

Temos forte tendência a priorizarmos aquilo que por fim não tem poder de sustentabilidade nos dias de dificuldades. Mais que isso, não influencia em nossa formação como pessoas.

Entretém, distrai, alimenta nosso ego, nos dá algum destaque diante da sociedade, nos apresenta aceitáveis no grupo social que estamos inseridos, impressiona àqueles que valorizam o ter, ajuda quando se quer ficar com alguém ou ter uma noite de amor com alguém, atrai amizades facilmente. E só. Nada mais do que isso.

Os mais jovens (falo sobre maturidade e não sobre idade) dirão: “Isso é muito! Não é só! Isso é exatamente o que se busca!”.

Tudo isso (ou quase tudo) é válido. Entreter-se, se distrair, ter amigos…isso tudo é importante. O grande problema é quando buscamos apenas isso. E mais, o grande perigo é quando buscamos atividades que, por fim, servirão de fuga para as nossas próprias doenças emocionais. Por exemplo, quando se compra algo com a finalidade de impressionar acaba por ser um catalisador de nossas doenças. Quando vestimos algo com o fim de nos inserirmos socialmente é porque estamos escravos da opinião alheia. Quando utilizamos coisas com o fim de seduzir alguém é porque estamos igualando o outro àquela coisa. Quando buscamos entretenimento com a finalidade de fuga é porque estamos com dificuldades de encararmos a realidade. E assim por diante…daríamos inúmeros exemplos.

Por isso, voltando ao assunto que iniciamos, dar valor as pequenas coisas é nossa salvação para fugirmos da mediocridade. Quando priorizamos bons relacionamentos, pequenos atos do dia como a refeição (onde nos sentamos numa mesa para não apenas comermos mas para dividirmos tempo e conversas), um momento – às vezes pequeno – com a filha para contarmos alguma história, atrasar-se um pouco mais para darmos um beijo na esposa ou filha antes de sairmos para o trabalho, um telefonema para um amigo com quem a tempos não conversamos. E muitos outros pequenos detalhes que trarão enorme impacto em nossa vida emocional e em nossa formação diária como pessoas.

Enquanto estivermos distraídos com o macro continuaremos absurdamente desfocados das coisas – pequenas – que serão o cerne de nossa formação. Um amigo me dizia que “mostramos quem somos, realmente, no varejo”. Ele está certo. São nas pequenas coisas e gestos que demonstramos quem/o que somos.

Ser bom, santo, impressionável quando os holofotes estão voltados para nós é fácil. É fácil se parecer santo no palanque. Sei bem como é isso… Lá todo mundo parece ser esmaltado. Os bastidores são imensamente diferentes. A maioria não imagina o quão contrastante é. Por isso, caráter tem a ver com solidão e não com multidão. Se é quando se está nu! Repito, com outras palavras, somos de fato quem somos quando estamos nus diante de mais ninguém. Sozinhos. Se estivermos diante de um público (chame este público de empresa, família, igreja, esposa, etc) seremos um pouco mascarados. Esconderemos falhas. Todo mundo é assim. A humanidade tem esta auto-defesa. E quem estiver lendo e por acaso estiver dizendo para si mesmo “eu não sou assim”…é porque ele não consegue ser quem é nem para ele mesmo. Esse está em pior estado que os demais. Posto que precisa mentir até para si mesmo a fim de que acredite na máscara que apresenta aos outros.

Nossa salvação de tudo isso? Nos voltarmos para a simplicidade. Para o pequeno. Para os detalhes. Para o que ninguém vê. Para aquilo que pode influenciar nossa alma mas que não trará nenhuma popularidade (pelo menos não de imediato). Fazendo isso, focaremos no que é importante e não no que causa espanto, aplausos e aceitação.

É um desafio. Meu, primeiramente. E diário

Comentários em: "Mais uma vez: detalhes" (1)

  1. Itiel disse:

    Querido Tales, grato por ajudar-nos a lembrar que a vida se vive nos detalhes e na solitude. Abracos

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