Um espaço para sermos …circunstancialmente…

Redação Carta Capital 26 de abril de 2011 às 9:10 h

Apesar da redução de certas disparidades propiciadas por programas de segurança alimentar, o abismo que separa brancos e negros no Brasil continua gigantesco. Essa é uma das conclusões do Segundo Relatório Anual de Desigualdades Raciais, divulgado na terça-feira 19 pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O estudo revela que os afrodescendentes têm menor acesso ao sistema de saúde (uma taxa de não cobertura de 27%, diante dos 14% verificados entre a população branca), a exames ginecológicos preventivos, ao pré-natal e sofrem com uma taxa maior de mortalidade materna. Por dia, morrem cerca de 2,6 mulheres pretas ou pardas por complicações na gestação, enquanto esse mesmo problema acomete 1,5 mulheres brancas.

Nos últimos 20 anos, o tempo de estudo dos afrodescendentes acima de 15 anos passou de 3,6 anos para 6,5. Mesmo assim, está muito aquém da média dos brancos, com 8,3 anos de estudo. Por outro lado, os pretos ou pardos beneficiados pelo Bolsa Família conseguiram aumentar a quantidade de alimentos consumidos em proporção superior (75,7%) à da população branca inscrita no programa (70,1%).

“Melhorou a segurança alimentar dos afrodescendentes, mas a discrepância prevalece nos outros setores”, comenta Marcelo Paixão, coordenador do relatório.

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