Um espaço para sermos …circunstancialmente…

INVISÍVEL

Acordei cedo. Na verdade, fui acordado. O sol, logo que esquenta, torna-se meu despertador. Ao virar de lado, meu café da manhã já estava pronto: um pão delicioso. Apenas me sentei nos meus “cobertores” e tomei meu café da manhã. Após isso, iniciei meu dia…

Primeiro, caminhei pelo Centro do Recife. Como todos os dias, fui ao mercado de São José. Sentei-me em frente ao bar do Sr.João. Lá fiquei. Cumprimentei todos os que ali estavam. Mas, só recebi resposta do Bala, uma vira lata preta, que todo dia vem brincar comigo. De lá, como sempre, tomei meu primeiro ônibus. Fui de cadeira em cadeira cumprimentando a todos e vendendo balas. Todos os dias, sem exceção, vejo os mesmos rostos. Todos os dias. Todos! Ofereço minhas balas, chicletes e sorrio para cada rosto conhecido. Sorrio para cada um. Nenhum deles, porém, me responde. Sequer me olha. Olham até para os chicletes e balas. Não para mim.

No almoço, chego à estação Joana Bezerra e lá, por R$ 1,50, tenho meu melhor momento do dia. Um cachorro quente com refrigerante. Não consigo sentar nos bancos exclusivos para clientes. Nunca sei por quê não posso sentar. No começo ficava me perguntando. Hoje não. Por hábito, apenas recebo meu almoço, pago e sento na calçada. E lá fico. Numa imensa multidão passando. Sem que nenhum olhar interessado seja dirigido para mim.

Minha rotina de ônibus em ônibus repete-se durante toda a tarde. Os mesmos não olhares. A mesma sensação de não ser visto. Sorrio só. Penso sozinho. Ofereço balas e chicletes. Alguns se interessam pelo que vendo. Não por mim.

 Chega a noite. Retorno ao meu local de sempre. Antes, passo na padaria. Pelos fundos. O Sr.Roberto sempre está lá. Jogando as migalhas fora. Varrendo-as. Uma sempre sobra pra mim. Coloco num saco plástico. Metade será meu jantar. A outra o meu café que comerei sentado nas cobertas logo ao acordar.

 Preparo meu colchão. Um velho papelão. Arrumo meu travesseiro. Minha sacola de poucas roupas. E me deito. Antes de dormir observo o céu. As estrelas. Elas parecem pequenos olhos a me observar. Então me pergunto: “Será que estes olhos me vêem? Serão os olhos de Deus ou de anjos? Ao menos estes estarão me vendo?”. E durmo.

Comentários em: "INVISÍVEL" (2)

  1. Alexandre Felix disse:

    Fala amigo gostei do seu novo blog, quando aparecer aqui em João Pessoa me ligue você é sempre uma pessoa especial em minha vida e de mana, abraços.
    Att.
    Dr. Alexandre Felix

  2. Dr.Alexandre Félix, meu amigo. Claro que ligarei. Nunca mais estive por aí mas tenha certeza que manterei contato quando fôr. Um forte abraço a vc e mana.

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