Um espaço para sermos …circunstancialmente…

REPETINDO…

Tales Messias Ferreira, 19/02/12

 Algumas pessoas me perguntam a razão de eu estar repetindo alguns temas de modo tão freqüente. Dizem que meus textos repetem-se e que alguns temas são sempre recorrentes. De fato reconheço serem.

Mas, são repetições novas. São novidades repetidas. São citações inéditas já ditas. São coisas comuns novas.

Já disse um escritor que todos os escritores escrevem, na verdade, um único livro durante toda a vida. Reunidos em vários volumes que são os livros e textos escritos durante uma vida.Versam todos eles geralmente em único tema mais geral.

E por que isso acontece?

Porque o que é repetido é o que está concluso. Repetimos aquilo que já temos. Que já está em nós. Que já foi internalizado. O que ainda não foi é que o novo. Por estar em nós, repetimos. Por nos dar prazer, repetimos. Por já termos , queremos novamente. Sempre. Um doce beijo, sempre o desejamos mesmo já tendo recebido. Um sorriso de uma filha, sempre o desejamos novamente. Um carinho de quem se ama nunca é demais. Um momento feliz em família pode ser repetido sempre que será nas inúmeras vezes prazeroso.

O que repetimos é o que já temos – ou tivemos – e nos foi prazeroso.

Um outro detalhe se deve aprender com as crianças. As crianças – isso sempre me causou curiosidade – nas brincadeiras, sempre pedem que sejam repetidas. Se repetirmos a mesma brincadeira com uma criança inúmeras vezes ela irá sorrir como se estivesse sendo a primeira vez. E ao final ela dirá: “de novo!”. Elas conseguem captar o belo, o prazeroso, no que já é cotidiano. Simples. Comum. Já visto. Elas conseguem que tenha o mesmo brilho e valor. E riso. E prazer. E na próxima vez…de novo.

Os adultos não. Precisam sempre estar em busca de algo diferente, novo. Nunca sentido. Por mais prazeroso que possa ser, precisará diferenciar. Daí as novidades tecnológicas quase diárias, os sex shops, as modas e tantos outros exemplos. Perdemos o prazer daquilo que é cotidiano. A rotina nos rouba a capacidade de enxergar o belo, o bonito. O pôr do sol de tão comum já não nos choca mesmo com tamanha beleza. Uma noite de lua cheia já não tem poesia. Um pequeno presente – pela lembrança – perde o romantismo.

O comum, de tão visto, se torna cenário dotado de invisibilidade.

Por isso repito. Por isso falo novamente. A fim de que as coisas que me dão prazer, que já estão dentro de mim posto que um dia experimentei e absorvi, sejam novas sempre que forem escritas. Re-escritas. Visto que continuam belas pra mim. Com a mesma importância, valor e beleza. E na esperança de que sejam novas. Sempre novas. Cada vez que forem revividas.

Isso só será possível quando existo em Deus. Pois Ele é quem faz novas todas as coisas. Mesmo as já existentes.

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