Um espaço para sermos …circunstancialmente…

Tales Ferreira 28.02.12

Sempre que havia algo novo em seus escritos  – o que dele era fácil – eu lia. Sempre polêmico nas idéias, era estimulante lê-lo. Mais tarde, fui organizador – através da MPC – de alguns eventos tendo a presença do Robinson.

Só anos depois – num momento de profunda necessidade e até depressão pessoal – é que o conhecí. Sim, porque em livros e em eventos não se conhece ninguém de forma mais límpida. Mesmo os eventos sendo marcados por informalidade há – sempre – um distanciamento natural.

Quando mais precisei de gente ao meu lado é que percebi quem era o Robinson. Liguei para ele numa tarde sombria em minha vida. De imediato ele me disse: “venha aqui agora, venha hoje”. Para mim, que estava ansioso por ser ouvido, foi o melhor dos convites. Daí em diante muitos outros encontros foram marcados. Sempre informais. Sempre regados com café e bolacha. Em seu sofá no escritório. Nunca pareceu confundir sua posição e função eclesiástica com uma amizade. Tanto que nunca conseguí chamá-lo de “Dom”. Sempre o chamei de Robinson. Sem títulos, sem pré-fixos. Apenas ele.

Assim foi meu contato com o Robinson. Em alguns momentos éramos interrompidos de forma sutil e agradável por D.Miriam – sua esposa.

O que guardo dele é simples: ele me amou paternamente e pastoralmente num tempo onde todos – com exceção de poucos – escolheram o abandono. Diante de meus dramas familiares e conjugais a maioria preferiu o distanciamento, o julgamento, o linchamento e outras reações homicidas. Robinson não. Lembro dele ter me dito: “Tales, que pena que isso não ocorreu comigo sendo seu pastor. Não deixaria ninguém tocar em você. Nem eu mesmo. Ninguém seria digno disso.” Em outro momento ele disse: “por que você tá sofrendo tanto? Simplesmente você descobriu o que você sempre foi: pecador. Que você erra. Igualzinho a mim”.

Sempre foi humano. Sempre foi Graça e acolhimento. Nunca julgamento. Contra a maioria do segmento religioso, ele e alguns poucos – que não enchem uma mão – decidiram tomar-me pela mão. Por isso, minhas memórias do Robinson vão além de escritos e palestras. Essas coisas já ouvi muito. E de muitos que ouvi, a prática não era condizente. Dele, guardo a presença, o amor, a simplicidade, a proximidade. Num momento onde tudo isso foi muito raro.

Obrigado, Robinson. Pelas lembranças e carinho. E pelo café com bolacha regado com seu sorriso e – não palavras – mas seu ouvido. Obrigado.

Comentários em: "ROBINSON CAVALCANTI" (1)

  1. Fábio Lins ( do rap ) disse:

    Saudade de você Tales, é desta mesma forma amigavel e pastoral que me lembro sempre de você. Como uma inspiração para mim e para meu ministerio, que tal qualquer dia desses sentarmos para compartilharmos café com bolachas e vidas.Forte abraço, meu amigo.

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