Um espaço para sermos …circunstancialmente…

TALES FERREIRA

ABRIL 2012

De um chefe espera-se o cumprimento e o estabelecimento de ordens. De um gestor espera-se organização e seguimento das políticas estabelecidas. De um líder espera-se mais do que tudo isso. Um líder inspira os seguidores a irem além do que já se caminhou até hoje. Um líder, com seu exemplo e carisma, investe num caminhar coletivo em busca de objetivos ainda não alcançados.

Para isso, o líder não apenas consegue que as pessoas sigam regras e políticas já escritas. Mais que isso, de forma pedagógica e paciente ele faz não apenas que as pessoas cumpram e persigam os objetivos mas, principalmente, ele consegue fazê-las cumprir e perseguir metas comuns acreditando nelas. Nesse aspecto, tudo muda. Ele não apenas aponta números. Ele instaura uma crença. Ele não consegue apenas obediência. Ele é digno de confiança e, por isso, há crença nele e em suas visões e objetivos.

As pessoas o seguem. Não perseguem apenas números.

Para isso, é necessária uma ampla mudança cultural a fim de que haja uma mudança comportamental em sintonia com a consciência. Não é um simples aprendizado de comportamentos e procedimentos corretos. É uma mudança na forma de pensar. Uma nova consciência. A partir dela, os comportamentos naturalmente mudam. Inclusive há questionamento se o comportamento adequa-se a esta nova forma de pensar.

Uma organização que deseja de fato mudar precisa entender que o aspecto chave está na liderança. Se na liderança não houver o protótipo do que se deseja para toda a organização não haverá mudança cultural. Se os líderes não inspirarem entre eles a forma de vida que se deseja nos demais, não haverá mudança cultural. Se da liderança não vier o exemplo daquilo que se deseja para o restante da organização não haverá mudança cultural.

Tudo o mais poderá existir: mudança de regras, aprendizado de novos procedimentos, ganhos financeiros maiores e outros bons aspectos. Mas, a organização continuará “pensando” como antes. Os comportamentos serão instintivos, impostos, não resultado natural de uma nova forma de pensar. Não fruto de uma nova consciência interna. Não motivada pela inspiração a partir da liderança.

Pensando nisso – e nesse texto não falo apenas como líder mas como sociólogo – alguns aspectos não podem deixar de existir numa liderança de alguma organização que deseja implementar uma nova cultura:

– Transparência entre os líderes. O que se pensa há espaço para que seja declarado;

– Confiança. Os líderes confiam uns nos outros;

– Lealdade. Há confiança posto que as atitudes são leais;

– Respeito pelas diferenças. Alguns “correm” em velocidades diferentes. Outros são mais estratégicos. Outros são mais da “execução”. Mas, todos são importantes. E essa diferença é valorizada mesmo que em alguns momentos hajam atritos devido às diferenças. Busca-se unidade não uniformidade;

– Cautela quanto ao que se ouve uns dos outros. Qualquer liderança que busque modificar uma cultura precisa estar pronta para enfrentar críticas, invejas, ciúmes, posições contrárias. Muitos irão criticar pois estavam acostumados com o antigo hábito de funcionar e se sentirão resistentes. Isso irá gerar muitas controvérsias, muitos oportunistas, muita fofoca. A liderança, porém, precisará estar coesa. Junta. E confiando que os comentários são fruto das mudanças que estão sendo buscadas.

– Objetivos comuns. Em meio à diversidade valorizada precisa-se, porém, de metas comuns. Visão única. Mesmo com diversidade de questionamentos e ideias.

Em meu ver, muito particularmente, se algum desses aspectos não existirem numa liderança, dificilmente uma organização terá êxito na instauração de uma nova cultura. Eu confesso: se percebo que algum desses aspectos não existe, “desligo o motor”. De forma instintiva começo a descrer de que mudaremos a organização. Desacelero.

Uma liderança que busque mudanças precisa entender que estas questões são inegociáveis: lealdade, transparência, confiança, objetivos comuns, blindagem contra os comentários externos, respeito às diferenças.

Não são estas características que se busca na organização? Pois então sejamos primeiros!

Nós, líderes… precisamos ser primeiro aquilo que desejamos ver nos outros.

 

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