Um espaço para sermos …circunstancialmente…

Tales Messias Ferreira, Fevereiro, 2013

Dia 04 de dezembro de 2012. Às 19:00. O contexto da vinda de Rebecca  foi de um silencioso – e torturante – medo. Medo do que já havia sido enfrentado pelo nascimento de Deborah (que sofreu muito em seu nascimento, tendo sido internada na UTI durante 11 dias…). O medo, desde 2009 (nascimento de Deborah) nos rodeava (mais a mim que a Rouse) desde aquele dia 09 de fevereiro. Medo de ver repetir-se a mesma história. Medo de enfrentar o já conhecido (diferente de alguns que temem o desconhecido). Medo de – novamente – no nascimento, não ouvir novamente o choro da filha. Medo do sentimento de vir pra casa deixando uma filha na UTI. Medo de ouvir a médica nos dizendo que não deveríamos esperar o melhor visto o pior acontecer em 09 de cada 10 pessoas. Medo. Medo, apenas isso.

Dia 04 – ironicamente (?) o dia de meu próprio nascimento – fomos à maternidade. Novamente fui permitido a assistir ao parto.

100_2122Fui na frente a fim de organizar-me para entrada na sala de cirurgia. Rouse foi levada à sala antes de mim, para ser anestesiada. Ao entrar, finalmente, encontrei Rouse: tremendo, mais nervosa que no parto de Deborah, olhos lacrimejando. Ouvi a voz da médica dizer-me: “talvez com a presença do marido ela melhore, acalme-se”.

Tudo pronto…inicia-se a cirurgia.

Rápido…minutos depois…ouviu-se uma filha chamando a mãe para acompanhá-la em seu choro. Rebecca nasceu gritando….muito! Convidando a mãe a fazer o mesmo. Convidando a mãe a esquecer o medo. Lembrando a mim que as histórias não precisam repetir-se. Lembrando que o medo não pode nos estacionar, paralisar. Mas, que ele pode ser liberto com um grito. Um choro. Um sinal de que há vida e não morte como na história anterior.

E assim foi…a mãe acompanhou-a..chorando. Chorando enquanto os médicos a costuravam. Todo o temor se foi. Com um choro. Um choro. Rouse chorou como quem ora. Como quem ri. Como quem agradece. Como um bebê abrindo os pulmões a Deus em gratidão por uma história não repetida. E uniram-se os choros numa som sala. A filha – estridente – e a mãe, mais silente, chorava baixo pois desejava que seu choro não cobrisse o de sua filha…pois desejava ouvir.

Ali, em 04 de dezembro de 2012, Rebecca deu a luz a Rouse. Destronou medos acalentados durante 07 anos. Medos que ainda amamentavam nossa família. Ali, ficou claro que nunca devemos nos render aos medos, aos temores, ao que julgamos más experiências.

100_21302,850 Kg (magrinha…) foram retirados chorando. Com vida. O choro de Rebecca só parou (surpresamente de imediato!) quando reclinaram ela no peito da mãe. Parecia já conhecer. Parecia já familiar. Inexplicavelmente ela acalmou-se…chegou em casa novamente…nos braços de Rouse. E assim é até hoje…02 meses depois…já com 4.400 Kg.

O que aprendemos com Deborah: que nada na vida pode ser tido como absolutamente dentro do controle. Que tudo, tudo, por mais organizado e previsível, pode transformar-se em completo caos subitamente. Que o aparente controle pode ser desorganizado repentinamente. E, nestas horas, só cabe consolo e socorro do Pai.

O que aprendemos com Rebecca: que os medos de histórias anteriores, de experiências traumáticas do passado, não devem nos paralisar. Não devem nos reter. Não devem povoar nossa memória a ponto de impedir uma nova luz.

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Comentários em: "Filha dá a luz a uma mãe (e pai)" (3)

  1. Ione disse:

    É isso ai Tales, foi preciso o choro de Rebecca pra que você e Rouse ficassem tranquilos e felizes. Quem disse que se chora apenas quando estamos tristes ou quando damos gargalhadas? No caso de vocês, o choro foi sinônimo de alívio e vida. Parabéns a vocês! Sendo assim…Choro com vcs. kkkk
    bjs
    Ione

  2. Sue Réginis disse:

    Tales, realmente Deus sabe de todas as coisas. Até mesmo o medo é uma reação natural de enfrentar toda dor novamente e que logo passou ao notar Rebecca enfrentando o mundo com toda força do mundo. Mostrando aos pais que já é uma vencedora. Estou tão feliz por vocês!!! Espero um dia conhecê-las e poder abraçar sua família que tenho grande carinho. Beijos em Rouse, Deborah e na pequena-grande Rebecca.

  3. Poliana Freire disse:

    Fantástica história e texto.
    Parabéns para esta família.
    Agradeço a Deus por vocês.
    Beijos,
    Poli

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