Um espaço para sermos …circunstancialmente…

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Carregando a cruz de Cristo

“Certo homem de Cirene, chamado Simão, pai de Alexandre e de Rufo, passava por ali, chegando do campo. Eles o forçaram a carregar a cruz” Mc 15.21

Esse é um versículo pouco lembrado sobre a crucificação de Jesus. Um homem que apenas passava por ali foi convocado a levar a cruz de Jesus. Era comum, dizem, fazerem isso. Convocar alguém do povo para que ajudasse o condenado a levar sua cruz. Simão foi o escolhido.

Nunca mais se ouviu falar nesse Simão. Não há mais nenhuma referência a ele.

Mas… muitos anos depois, o apóstolo Paulo finalizando o livro de Romanos diz: “Saúdem Rufo, eleito no Senhor, e sua mãe, que tem sido mãe também para mim”.

Há, segundo biblistas, grande possibilidade de que esse Rufo seja aquele que marcos afirma ser filho de Simão. Sendo, tudo indica que aquele rápido encontro de seu pai, Simão, enquanto ele passava, com um condenado chamado Jesus de Nazaré, mudou sua vida. E de sua esposa. E de, pelo menos, um dos filhos: Rufo. Aquele caminho carregando a cruz, ouvindo os insultos que ele recebia, vendo como ele reagia, assistindo no caminho seu encontro com sua mãe, ouvindo, (talvez) o diálogo dele com Aba e com os ladrões crucificados ao lado…Mudaram para sempre aquele homem que passava por ali, Simão. Ele volta para casa. E, imagino apenas, que volta tão “engravidado” daquelas cenas e daquele homem que se torna seguidor de Jesus. E também sua casa. Sendo o mesmo Rufo, como afirmam os estudiosos de que há grande possibilidade, torna-se um testemunho do que acontece quem encontra-se com nosso Senhor, o Cristo, Jesus de Nazaré.

simon800wh

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Que nenhuma raiz de amargura brote

…que nenhuma raiz de amargura brote e cause perturbação, contaminando muitos…Hb 12.15

Caminhando hoje, deparei-me com essa cena:

Não sei se é possível distinguir a foto mas é um veículo, completamente coberto de plantas, raízes e folhas. As plantas já o “engoliram”.

Acredito que disso trata o versículo acima. No poder que tem uma amargura de, dia a dia, pouco a pouco, ir envolvendo nossa vida. Corroendo. Fixando raízes. Transformando nossa vida em um novelo de raízes, folhas e troncos até que mal se perceba mais quem de fato somos.

Daí o perdão…aquele que nos liberta dessas raízes. Aquele que nos desvencilha daquilo que nos impede de caminhar, daquilo que nos impede de sermos quem somos, daquilo que nos impede de avançar nos caminhos que Deus traçou para nós. Perdão. Difícil as vezes decidir por ele. Chamado por alguns de fraqueza. Contudo, poderoso para nos fazer sair da ociosidade, de uma vida estacionada, estagnada.

Perdoar é ficar com o prejuízo para si. Sim, porque perdoamos e herdamos a dívida. Isso porque perdão é fruto de graça. E graça é fazer algo em favor de quem não merece. Por isso, quando decidimos perdoar ficamos com a conta das ofensas, dívidas, palavras mal-ditas . E lançamos essas dívidas para Deus. Ele sabe bem o que é isso. Ele é Aquele que, na cruz, nos ensinou o perdão. E ficou com a “dívida” da morte. Perdoe.

Ganhar o mundo mas perder a alma – YouTube

Ganhar o mundo mas perder a alma – YouTube

Deprimente…

Deprimo-me quando vejo que ontem foi votado e aprovado no congresso a redução da maioridade penal.

Deprimo-me ao ver no jornal um grupo de evangélicos que apedrejaram uma criança por ser esta da umbanda.

Deprimo-me ao ver o esforço e energia da igreja evangélica em golpear o movimento LGBT

Deprimo-me quando vejo uma bancada dita evangélica que esforça-se por causas próprias, ligadas a sua religião e, claro, aos seus eleitores.

Deprimo-me ao ver um deputado gastar energia propondo mudanças no livro dos cristãos, na Bíblia

Deprimo-me porque olho para um pais em constante desconstrução…com crianças morrendo…com jovens sendo estupradas…com direitos descumpridos…com corrupção completamente disseminada em todos recantos e cantinhos da sociedade…com uma igreja evangélica inerte (de forma geral)…com pastores comprados…com seminários dispensáveis…com universidades públicas sucateadas…com uma política cada vez mais polarizada e maniqueísta…com ruas cada vez menos arborizadas e desertas de crianças…

Deprimo-me. E hoje, nessa manhã, talvez mais que outros. É que olho para minhas filhas e penso:

– que país deixarei para elas?

– que igreja frequentarão?

– que educação receberão?

– que qualidade de vida terão?

Deprimo-me. E oro.

Deus, nas entrelinhas

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Deus, geralmente, escreve nas entrelinhas. Nós é que só conseguimos tentar vê-lo nas linhas. Somos objetivos, lineares, temporais. Daí nossa tendência à revolta, à impaciência. Preferimos aqueles que “desenham” em nosso plano. A estes, incluímos até Deus…

Tales M Ferreira

junho 2014

 

 

 

Graça

 

Tales Ferreira,                                                                                  19 de abril 2014, Praia de Peroba – Alagoas

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Com muita frequência nos referimos a ela como um ente. Alguém. Não como característica, qualidade de Deus. Mas como um ser independente. “Foi a graça que fez isto”…”Pela Graça conseguimos tal coisa”…etc, são alguns exemplos de frases ditas.

Graça, porém, é uma qualidade que caracteriza Deus. Graça é um bem imerecido. Um favor recebido sem que tenhamos tido nenhum merecimento em seu recebimento.

Mais que isso…Graça é uma atitude injusta de um Deus justo. Sim, Graça é a maior ação de injustiça de Deus!

Visto que somos perdoados sem que tenhamos nenhum motivo para isso.

Visto que fomos perdoados através da ação mais injusta de Deus na história quando entregou seu filho, sem pecado, por nossos pecados.

Visto que sou perdoado, todo dia – sem exceção – sem, em sequer nenhum dos dias, ter sido merecedor.

Visto ser amado por um Deus Amor sem que nenhum bem houvesse em mim.

Visto ter sido feito justo sendo que não há “nenhum justo sequer”, o que me inclue.

Visto ter as misericórdias de Deus renovadas a cada dia sem que, em contrapartida, eu esteja sendo mais misericordioso diariamente.

Por tudo isso, a Graça de Deus é injusta. O que há de mais injusto!

Olhando para o momento da crucificação, onde um dos ladrões, reconhecendo em Jesus ser o Messias, ele é, então, perdoado. Praticou, provavelmente, uma série de ações contra a sociedade durante sua vida. E, sem restituição alguma, foi perdoado. É justo?

Tantos são os exemplos…tantos…

Graça é uma qualidade, uma característica de um Deus que define-se como Amor. Ele, só Ele, sendo, consegue cometer tal injustiça devido a sua Graça.

E, “pela Graça de Deus sois salvos. Isso não vem de vós, é um dom, um presente, uma dádiva de Deus”.

 

Cabelos Brancos

Tales Messias Ferreira

Manhã de 05 de Junho de 2014

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Aprendi a admirar cabelos brancos. Neles, implicitamente (no geral, claro), estão inseridos virtudes que não encontramos noutra idade.

Neles, há uma capacidade cada vez mais rara de encontrar: não viver sob expectativas. Os anciãos já não vivem para alguém. Para impressionar. Com intuito de causar alguma reação alheia. Não. Eles se libertaram da pressão da opinião publica. Com isso, são autênticos. São livres para serem e falarem mesmo que ninguém os escute, siga ou dê atenção. Eles – diante de nossa cultura homicida ante os mais velhos – estão acostumados à desatenção. A não ter eco em suas palavras. Livres, por isso, para simplesmente serem livres da opinião alheia.

Uma outra característica que muito admiro é a inutilidade. São inúteis. E isso é uma virtude! Como assim, você deve estar se perguntando. É que vivemos numa sociedade tão utilitária, tão funcional que apenas pensamos numa pessoa, num ser humano, enquanto ele é útil. Enquanto ele funciona para a sociedade…ou para você. Quando ele passa a ser simplesmente gente. Muitos já aposentados. Quando são somente pais, avós e avôs, marido e mulher. Quando somente são amados pelo que representam. Não pelo que fazem. Nesse estágio – de inutilidade na visão social – eles são mais bonitos que nunca. Finalmente eles são só pessoas. Não mais se escondem atrás de paletós, de mesas, de diplomas, de currículos. Finalmente se tornam pessoas. E, de amor desprentesioso, é o que esperam. Não mais trocas. Não mais barganhas. Amor. Por isso considero uma virtude, nesse caso, a inutilidade. Não faço um convite à inutilidade. Apenas a separo aqui de nossas relações de amor. Utilidade e amor não se coadunam.

Que um dia, já velho, eu veja o mesmo olhar nas minhas filhas. Que ao me olharem elas tenham o mesmo brilho quando olham para mim hoje. Isso, quando sequer eu puder fazer nada. Quando eu puder falar e expressar tudo o que penso. Sem rédeas sociais. E quando funcionalmente eu não mais servir à sociedade capitalista e globalizada. Mas, que para elas, haja brilho e amor. Pelo que serei/sou…nunca…nunca…pelo que posso oferecer em troca.